A interface entre a Saúde e a Educação

A interface entre a Saúde e a Educação

O desenvolvimento contemporâneo das ciências relacionadas aos problemas no convívio familiar e na aprendizagem escolar está se dirigindo para a abordagem multidisciplinar. Mas, o que é a multidisciplinaridade?

Quando atendemos uma criança ou um adolescente encaminhada pela escola ou por procura espontânea através de seus pais é necessário investigar as possibilidades de um diagnóstico. Este , por sua vez, pode ser resultante de um leque de possibilidades que se estende desde fatores puramente educacionais até desajustes neurológicos passando por possíveis problemas emocionais. Este manejo exige que todos os profissionais envolvidos- mesmo de especialidades muito distintas- tenham conhecimento de um pouco de tudo. O psicólogo deve entender um pouco neurologia e neurodesenvolvimento; o pedagogo, entender um bocado de linguagem e fonologia; o fonoaudiólogo, desvendar na sua avaliação se existem possibilidades de problemas de comportamento ou de atraso de aquisição de pré-requisitos da estrututração da linguagem do paciente e, por fim, o neurologista compreender melhor processos psicopedagógicos. Intercalar e emaranhar tantos conhecimentos é possível desde que cada um se interesse um pouco mais pela especialidade do outro sem preconceitos, influências ideológicas ou fundamentalismos teóricos. Abrir espaço para que a avaliação do outro contribue com o seu e o resultado será o melhor possível. Neste processo, a participação da escola é essencial e deve sempre ser cercada dos maiores detalhes na hora de relatar o que realmente está acontecendo. Com isto, a escola atesta aos pais que está realmente preocupada e envolvida com seu (sua) filho (a) e que fará o que for necessário e possível para ajudar.

A interface entre a Saúde e a Educação

A importância de toda esta ampla estratégia reside em vários argumentos:

1) a família vai confiar cada vez mais nas conclusões da avaliação e ajudará com relatos cada vez mais detalhados;

2) os profissionais passam a falar a mesma língua e afinando a comunicação entre eles;

3) a motivação para atualização e estudo frequente aumenta e impulsiona a todos a buscarem as evidências científicas e aprenderem com a experiência consolidada de cada um;

4) redução progressiva dos preconceitos de outrora e diluição de críticas pois todos passam a ser responsáveis pelo resultado da avaliação;

5) e numa área onde os exames tem papel muito pequeno e secundário, a visão clínica e observacional com aplicação de protocolos estruturados toma corpo.

A multidisciplinaridade é, portanto, um processo sistematizado de interface entre a Saúde e a Educação em direção a um constante compartilhamento de avaliações entre as especialidades a serviço de um mesmo fim : entender porque uma criança não consegue aprender.

 

CV para Artigos Dr